digo “sou” enquanto me dissolvo
e no desfazer do contorno
aprendo a ver
meu corpo não termina em mim
escorre memória pelos meus passos
como se cada gota carregasse
o nome antigo de quem veio antes
dissolver é voltar
é desatar o nó do tempo
e deixar que a pele reconheça
o chão como parente
diz-sou-ver…
sou rio de avós
sou sopro que insiste
sou caminho que se refaz
e quando já não sei onde começo
é porque finalmente vejo —
não há fim no que me habita
apenas travessia
