terça-feira, abril 14, 2026

Diz-sou-ser

 digo “sou” enquanto me dissolvo

e no desfazer do contorno

aprendo a ver

meu corpo não termina em mim

escorre memória pelos meus passos

como se cada gota carregasse

o nome antigo de quem veio antes

dissolver é voltar

é desatar o nó do tempo

e deixar que a pele reconheça

o chão como parente


diz-sou-ver…

sou rio de avós

sou sopro que insiste

sou caminho que se refaz

e quando já não sei onde começo

é porque finalmente vejo —

não há fim no que me habita

apenas travessia

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